Anete L. Blefari é psicoterapeuta holística e especialista em dependência química.

Negação e facilitação: o círculo vicioso alimentando a doença do alcoólico


Desde 1956, a Associação Médica Americana reconheceu o alcoolismo como uma doença, crônica e progressiva, com complicações que, às vezes, podem terminar com a morte. Durante anos de consumo de bebidas alcoólicas, o indivíduo pode funcionar nas suas tarefas diárias, enquanto a doença vai progredindo. Quando uma pessoa usuária de álcool desenvolve a doença “alcoolismo”, perde o controle sobre a droga. Já não bebe mais pelo prazer, mas para evitar a síndrome de abstinência, com seus sinais e sintomas desagradáveis, por falta de álcool em seu organismo já adaptado à substância. As causas do alcoolismo são multifatoriais, ou seja, vários fatores combinados podem determinar a doença: predisposição genética, características da personalidade: ansiedade, angústia, medo, fragilidade, etc; hábitos familiares, cultura da sociedade, rituais e costumes da comunidade, oferta da droga, informação, propaganda e outras diversas influências.
Cerca de 30% das pessoas fazem uso de bebidas alcoólicas de modo exagerado, abusivo, que gera muitos problemas para si e para outras pessoas, podendo levar à dependência.
Como lidar com as pessoas que entram em síndrome de abstinência?
Antigamente muitas pessoas morriam, mas, atualmente, se a pessoa for levada a um hospital ao apresentar os primeiros sintomas, ela será medicada e não correrá grande risco de morte, principalmente no caso de álcool. Os principais sintomas são: nervosismo ou irritação, insônia, sudorese (aumento da transpiração), diminuição do apetite, tremores, e, em casos mais graves, febre, convulsões e alucinações.
Dependência, abuso de álcool e outras drogas
São doenças médicas bem definidas. Muitas pessoas, ainda, têm o preconceito de que se trata de um desvio moral, fraqueza do indivíduo ou simples falta de força de vontade para com o consumo. A dependência e o abuso de drogas se desenvolvem durante o período de consumo. Com a continuidade do consumo, os usuários deixam de cumprir suas funções cotidianas (escola, trabalho, família, lazer, etc) e acabam tendo problemas sociais, financeiros, conjugais, físicos, emocionais, psicológicos e espirituais.
Negação e facilitação: o círculo vicioso alimentando a doença do alcoólico
A falta de conhecimento sobre o assunto, a negação do problema, a facilitação e a dificuldade em aceitar ajuda apropriada desenvolve posturas e atitudes que agravam ainda mais a problemática familiar. A família sente-se culpada e responsável pelo alcoolismo do outro, começa a assumir papéis do alcoólico, a justificar os erros do mesmo e a controlar seus comportamentos. Os facilitadores precisam controlar sua tendência de resolver ou aliviar os problemas para o alcoólico.
O que fazer?
Não faça “nada” (não tenha paciência). A palavra chave é AÇÃO e esta deve começar HOJE. (quanto mais cedo o alcoólico decidir parar de beber, mais fácil lhe será permanecer sóbrio). Ele deve ter mais desvantagens do que vantagens em continuar bebendo, para querer se recuperar. Contribua para que isto ocorra o mais breve possível. Aprenda sobre alcoolismo (freqüente reuniões abertas de Alcoólicos Anônimos); torne-se emocionalmente e financeiramente independente do alcoólico (uma pessoa emocionalmente desequilibrada não pode ajudar um alcoólico); pare de socorrer o alcoólico (a menos que sua saúde esteja em perigo, não faça nada para resolver seus problemas); seja aberta, franca e calma (sempre trate o alcoolismo como a doença respeitável e tratável que é). Seja franca e honesta sobre o alcoolismo da pessoa com todos, particularmente com a pessoa. Se a violência entrar em cena, pare-a ou saia! Solte-o! (aprenda a desligar-se, viva sua própria vida e deixe o alcoólico viver a dele). Com mais de trinta anos de estudos e pesquisas científicas sobre dependência química, foi possível o entendimento dos mecanismos da doença e de estabelecer regras e atitudes que ajudam uma pessoa dependente a querer se recuperar. Lembre-se de que o verdadeiro amor é aquele que educa e não aquele que tolera (passa a mão na cabeça e deixa a doença progredir). Muitas vezes precisamos de remédios amargos para curar nossos males.

 Central do A.A. (11) 3315-9333.

 


 


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