Carlos Alberto Rocha Ferreira é Psicoterapeuta Holístico e atua na área de dependência química.

          PERDÃO ANTÍDOTO DA CULPA

Culpa é o sentimento causado pelo próprio julgamento de que "Fiz alguma coisa errada”. É um dos sentimentos mais presentes por situações causadas durante a vida bem como as causadas na adicção ativa.

Alguns chegam ao ponto máximo de sentir culpa por terem nascido e sentem-se como um grande fardo. Para compensar essa rejeição sentida em algum momento da vida, vivem tentando mostrar aos outros o quanto são úteis, importantes, como que para provarem a si mesmos que são merecedores da vida.

É importante compreender que devemos assumir nossos erros, sem culpa, entendendo que todos nós seres humanos, cometemos erros. Isso não significa ser conivente com os nossos erros, mas sim, ter uma atitude sincera, com arrependimento e reparação dos mesmos.

Nada que fizemos no passado pode ser modificado. Apenas o momento presente está sob nosso controle e pode ser modificado. Entender isso e aplicar em nossas vidas é sabedoria.

Podemos mudar nossas histórias de culpa por uma história de aceitação de nós mesmos. E para isto, precisamos de determinação para limpar esse sentimento que está registrado em nós.

Precisamos quebrar as correntes da auto-piedade, parando de nos criticar, pois a crítica é como bater em nós mesmos, sem compreensão ou bondade.

É preciso que nos livremos de certos padrões de pensamentos e sentimentos. Mudando o que não serve mais para o HOJE e curando a ferida que mais dói.

Analise os acontecimentos negativos do passado e reconheça que passado é passado e que nada vai mudar esses acontecimentos. Perceba que não adianta guardar ressentimentos, pois isso apenas perturba a mente criando infelicidade.

O antídoto para o veneno da culpa é o Perdão. Ao perdoar caminhamos em direção à recuperação.

O perdão é o esquecimento completo e absoluto das ofensas, vem do coração é sincero e generoso, não impõe condições humilhantes tampouco é motivado pelo orgulho. O verdadeiro perdão é reconhecido pelas atitudes e não pelas palavras.

Perdoar não é esquecer algo doloroso que aconteceu. Perdoar e esquecer são coisas diferentes. Podemos até lembrar desses acontecimentos, mas o importante é abandonar os sentimentos negativos relacionados a eles. Ao perdoar não ficamos presos ao passado.

É um processo de reconhecer a verdade, assumir a responsabilidade pelo que fizemos, aprender com a experiência, reconhecer os sentimentos que motivaram determinados comportamentos, abrir o coração para nós mesmos, ouvir nossos medos e curar certas feridas.

É possível conseguir isso sendo responsável e honesto consigo mesmo, com os outros e com o Poder Superior.

É importante perdoar as pessoas, mas é muito importante também aprender a perdoar a si mesmo.

Perdoar-se sem culpa é entender que ninguém é perfeito. Todos cometem erros. Em algum momento da vida, se faz algo errado ou deixa-se de fazer algo. Isto é da condição humana. Arrepender-se e reconhecer as falhas é humildade e motiva a reparação dos erros e agir corretamente no futuro.

Perdoar a si mesmo talvez seja um dos maiores desafios, pois está relacionado com a capacidade e também dificuldade que cada um tem de aceitar-se.

Exige uma completa honestidade para o alcance da cura de tantos males, de tanta falta de amor-próprio, devido às conseqüências do uso e principalmente da pessoa que nos tornamos.

A verdadeira cura é fazer as pazes consigo mesmo. O poder curativo do perdão talvez seja o remédio mais poderoso e está nas mãos de cada um! É uma grande virtude que abre o caminho. É uma bênção tanto para quem recebe como para quem concede.

Aquele que perdoa e não guarda rancores em seu interior, experimenta despreocupação e a leveza da alegria.

O perdão é um ato que faz experimentar o amor do próprio interior. Ele libera a dor, o ressentimento e o fardo que fere a nós mesmos e aos outros.

Fica mais fácil perdoar quando as ofensas não são multiplicadas e não guardamos mágoas.
É difícil perdoar quando reagimos da mesma maneira, revidando as provocações, as afrontas e magoando também as outras pessoas.

É preciso lembrar que tudo que pensamos, falamos e fazemos cria nosso próprio mundo. Deste modo, ao criar dor para alguém estamos criando sofrimento e inquietude para nós mesmos.

O perdão é uma escolha. É recuperar a vida, é assumir a responsabilidade pelo que sentimos.

O perdão é para nossa própria cura porque não gastamos energia desnecessária sentindo raiva e sofrimento em relação a coisas sobre as quais não podemos mais mudar.

Quando nos aceitamos como verdadeiramente somos, sem críticas, quando começamos a nos amar, realizamos as mudanças positivas que nos transformam para melhor.

Experimente parar de se punir com suas crenças negativas. Perdoe a si mesmo e sinta como você vivencia a tranqüilidade na sua vida.

Depois de iniciar o processo de recuperação temos a barreira da culpa a enfrentar, mas vale à pena iniciar!

A culpa envolve algo de momento, algo com um sentido moral: roubei, menti, manipulei, agredi... Para nos livrarmos dela, somente perdoando os outros por serem imperfeitos e perdoando-nos por também sermos imperfeitos. Aceitar a condição de que somos falhos, mas que temos humildade e caráter suficiente para reparar o mal e transformar os caminhos em oportunidade para o bem!

Só por hoje!!!
__________________________________________________________________________________________________________________________ Carlos Alberto Rocha Ferreira – Psicoterapeuta Holístico e atua na área de dependência química. Foi usuário de drogas e álcool durante 18 anos. É sócio no Lumina apoio – Unidade especializada no tratamento de drogas e álcool (masculino e feminino) e Psicoterapeuta no Instituto Lumina – Clínica feminina de recuperação de drogas e álcool. Diversas palestras realizadas em empresas, clínicas de recuperação e grupos de ajuda.
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